Discutido no Congresso desde 2003, o Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado ontem na Câmara dos Deputados.Para avançar no Congresso, o projeto precisou de um acordo entre oposição e governo. Os pontos mais polêmicos acabaram retirados do texto original, como a criação de cotas para negros nas universidades federais, um percentual que obriga atores e figurantes negros em programas de TV e a titulação de terras quilombolas.O deputado Daniel Feliciano (PDT-BA) acusou os colegas de aprovarem o estatuto desidratado, com poucos efeitos práticos para a população negra.– Esse relatório suprime a essência de muitas coisas que já haviam sido conquistadas em anos de luta – disse.O acordo manteve a criação de cota para candidatos negros nas eleições, mas reduziu esse percentual de 30% para 10%. Já as cotas na TV foram eliminadas, e os artigos que instituíam a reserva de vagas no ensino superior foram substituídos por um texto genérico, que não fixa prazos ou percentuais. O relatório manteve a promessa, a ser regulamentada, de incentivos fiscais para empresas com 20% de trabalhadores negros.O presidente da Comissão Especial, deputado Carlos Santana (PT-RJ) minimizou as críticas e classificou a aprovação de vitória histórica.– Ao aprovar o estatuto, estamos reconhecendo que há discriminação racial no Brasil. Nós não recuamos – afirmou.O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, avaliou a aprovação da proposta.– O estatuto foi possível diante da correlação de forças do Congresso. O maior avanço é que ele não vai gerar conflitos porque os partidos estão unidos em torno do mesmo texto – disse Santos.Com a aprovação do relatório da Comissão Especial, o projeto deve seguir diretamente para o Senado. A intenção é que o presidente Lula sancione o estatuto no dia da Consciência Negra, em 20 de novembro.Mesmo esfacelado, o texto foi aprovado em clima de festa, com batucada promovida por militantes com roupas e turbantes afro. Os deputados esqueceram o protocolo e votaram de pé. Depois, cantaram de mãos dadas o samba Sorriso Negro, gravado por Ivone Lara.Brasília
As mudanças
CANDIDATURAS
As principais regras que entrarão em vigor, caso o estatuto passe no Senado e seja sancionado pela Presidência
- Obriga que os partidos políticos destinem aos negros 10% de suas vagas para candidaturas nas eleições proporcional. A proposta original previa uma cota de 30%
SAÚDE
- Determina que o sistema público de saúde se especialize em doenças mais características da raça negra, como a anemia falciforme
EDUCAÇÃO
- Torna obrigatória a inclusão no currículo do Ensino Fundamental aulas sobre história geral da África e do negro no Brasil
- Determina que o Poder Público adote ações afirmativas em instituições públicas federais de ensino – sem prever cotas ou percentuais mínimos
TRABALHO
- Permite que o governo crie incentivos fiscais para empresas com mais de 20 funcionários e que decidirem contratar pelo menos 20% de negros
- Determina que os governos prevejam ações que promovam a igualdade de oportunidade no mercado de trabalho
Fonte: Zero Hora - 10/09/2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
“Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?”
“Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?”A mais importante atriz de Moçambique sofre discriminação racial em São Paulo
ELIANE BRUM
Fazia tempo que eu não sentia tanta vergonha. Terminava a entrevista com a bela Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana, no início da tarde desta sexta-feira, 19/6, quando fiz aquela pergunta clássica, que sempre parece obrigatória quando entrevistamos algum negro no Brasil ou fora dele. “Você já sofreu discriminação por ser negra?”. Eu imaginava que sim. Afinal, Lucrécia nasceu antes da independência de Moçambique e viaja com suas peças teatrais pelo mundo inteiro. Eu só não imaginava a resposta: “Sim. Ontem”. Lucrécia falou com ênfase. E com dor. “Aqui?”, eu perguntei, num tom mais alto que o habitual. “Sim, no Shopping Paulista, quando estava na fila da casa de câmbio trocando meus últimos dólares”, contou. “Como assim?”, perguntei, sentindo meu rosto ficar vermelho. Ela estava na fila da casa de câmbio, quando a mulher da frente, branca, loira, se virou para ela: “Ai, minha bolsa”, apertando a bolsa contra o corpo. Lucrécia levou um susto. Ela estava longe, pensando na timbila, um instrumento tradicional moçambicano, semelhante a um xilofone, que a acompanha na peça que estreará nesta sexta-feira e ainda não havia chegado a São Paulo. Imaginou que havia encostado, sem querer, na bolsa da mulher. “Desculpa, eu nem percebi”, disse. A mulher tornou-se ainda mais agressiva. “Ah, agora diz que tocou sem querer?”, ironizou. “Pois eu vou chamar os seguranças, vou chamar a polícia de imigração.” Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. “Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos.” A mulher continuou resmungando. Um segurança apareceu na porta. Lucrécia trocou seus dólares e foi embora. Mal, muito mal. Seus colegas moçambicanos, que a esperavam do lado de fora, disseram que era para esquecer. Nenhum deles sabia que no Brasil o racismo é crime inafiançável. Como poderiam?
Saiba mais * *»*Sergia Galván - "O racismo hoje é mais sutil e mais forte" <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=69960&secaoId=15228> * *»*Cotas para quê? <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=67068&secaoId=15228> * *»*Agência proíbe de falar sobre cotas, diz top <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=77868&secaoId=15228>Lucrécia não consegue esquecer. “Não pude dormir à noite, fiquei muito mal”, diz. “Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim.” Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. “Eu nunca fui discriminada dessa maneira”, diz. “Dá uma dor na gente. ” Ela veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural, que realiza até 26 de junho, em São Paulo, o Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito. Lucrécia apresentará de hoje a domingo (19 a 22/6), sempre às 20h, a peça Mulher Asfalto. Nela, interpreta uma prostituta que, diante de seu corpo violado de todas as formas, só tem a palavra para se manter viva. Lucrécia e o autor do texto, Alain-Kamal Martial, estavam em Madagáscar, em 2005, quando assistiram, impotentes, uma prostituta ser brutalmente espancada por um policial nas ruas da capital, Antananarivo. A mulher caía no chão e se levantava. Caía de novo e mais uma vez se levantava. Caía e se levantava sem deixar de falar. Isso se repetiu até que nem mesmo eles puderam continuar assistindo. “Era a palavra que a fazia levantar”, diz Lucrécia. “Sua voz a manteve viva.” Foi assim que surgiu o texto, como uma forma de romper a impotência e levar aquela voz simbólica para os palcos do mundo.
Mais tarde, em 2007, Lucrécia montou o atual espetáculo quando uma quadrilha de traficantes de meninas foi desbaratada em Moçambique. Eles sequestravam crianças e as levavam à África do Sul. Uma menina morreu depois de ser violada de todas as maneiras com uma chave de fenda. Lucrécia sentiu-se novamente confrontada. E montou o Mulher Asfalto. Não poderia imaginar que também ela se sentiria violada e impotente, quase sem voz, diante da cliente de um shopping em um outro continente, na cidade mais rica e moderna do Brasil. Nesta manhã de sexta-feira, Lucrécia estava abatida, esquecendo palavras. Trocou o horário da entrevista, depois errou o local. Lucrécia não está bem. E vai precisar de toda a sua voz – e de todas as palavras – para encarnar sua personagem nesta noite de estréia. “Fiquei pensando”, me disse. “Será que então é verdade? Que no Brasil é difícil ser negro? Que a vida é muito dura para um preto no Brasil?” Eu fiquei muda. A vergonha arrancou a minha voz. Fonte: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html>http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html
ELIANE BRUM
Fazia tempo que eu não sentia tanta vergonha. Terminava a entrevista com a bela Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana, no início da tarde desta sexta-feira, 19/6, quando fiz aquela pergunta clássica, que sempre parece obrigatória quando entrevistamos algum negro no Brasil ou fora dele. “Você já sofreu discriminação por ser negra?”. Eu imaginava que sim. Afinal, Lucrécia nasceu antes da independência de Moçambique e viaja com suas peças teatrais pelo mundo inteiro. Eu só não imaginava a resposta: “Sim. Ontem”. Lucrécia falou com ênfase. E com dor. “Aqui?”, eu perguntei, num tom mais alto que o habitual. “Sim, no Shopping Paulista, quando estava na fila da casa de câmbio trocando meus últimos dólares”, contou. “Como assim?”, perguntei, sentindo meu rosto ficar vermelho. Ela estava na fila da casa de câmbio, quando a mulher da frente, branca, loira, se virou para ela: “Ai, minha bolsa”, apertando a bolsa contra o corpo. Lucrécia levou um susto. Ela estava longe, pensando na timbila, um instrumento tradicional moçambicano, semelhante a um xilofone, que a acompanha na peça que estreará nesta sexta-feira e ainda não havia chegado a São Paulo. Imaginou que havia encostado, sem querer, na bolsa da mulher. “Desculpa, eu nem percebi”, disse. A mulher tornou-se ainda mais agressiva. “Ah, agora diz que tocou sem querer?”, ironizou. “Pois eu vou chamar os seguranças, vou chamar a polícia de imigração.” Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. “Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos.” A mulher continuou resmungando. Um segurança apareceu na porta. Lucrécia trocou seus dólares e foi embora. Mal, muito mal. Seus colegas moçambicanos, que a esperavam do lado de fora, disseram que era para esquecer. Nenhum deles sabia que no Brasil o racismo é crime inafiançável. Como poderiam?
Saiba mais * *»*Sergia Galván - "O racismo hoje é mais sutil e mais forte" <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=69960&secaoId=15228> * *»*Cotas para quê? <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=67068&secaoId=15228> * *»*Agência proíbe de falar sobre cotas, diz top <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=77868&secaoId=15228>Lucrécia não consegue esquecer. “Não pude dormir à noite, fiquei muito mal”, diz. “Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim.” Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. “Eu nunca fui discriminada dessa maneira”, diz. “Dá uma dor na gente. ” Ela veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural, que realiza até 26 de junho, em São Paulo, o Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito. Lucrécia apresentará de hoje a domingo (19 a 22/6), sempre às 20h, a peça Mulher Asfalto. Nela, interpreta uma prostituta que, diante de seu corpo violado de todas as formas, só tem a palavra para se manter viva. Lucrécia e o autor do texto, Alain-Kamal Martial, estavam em Madagáscar, em 2005, quando assistiram, impotentes, uma prostituta ser brutalmente espancada por um policial nas ruas da capital, Antananarivo. A mulher caía no chão e se levantava. Caía de novo e mais uma vez se levantava. Caía e se levantava sem deixar de falar. Isso se repetiu até que nem mesmo eles puderam continuar assistindo. “Era a palavra que a fazia levantar”, diz Lucrécia. “Sua voz a manteve viva.” Foi assim que surgiu o texto, como uma forma de romper a impotência e levar aquela voz simbólica para os palcos do mundo.
Mais tarde, em 2007, Lucrécia montou o atual espetáculo quando uma quadrilha de traficantes de meninas foi desbaratada em Moçambique. Eles sequestravam crianças e as levavam à África do Sul. Uma menina morreu depois de ser violada de todas as maneiras com uma chave de fenda. Lucrécia sentiu-se novamente confrontada. E montou o Mulher Asfalto. Não poderia imaginar que também ela se sentiria violada e impotente, quase sem voz, diante da cliente de um shopping em um outro continente, na cidade mais rica e moderna do Brasil. Nesta manhã de sexta-feira, Lucrécia estava abatida, esquecendo palavras. Trocou o horário da entrevista, depois errou o local. Lucrécia não está bem. E vai precisar de toda a sua voz – e de todas as palavras – para encarnar sua personagem nesta noite de estréia. “Fiquei pensando”, me disse. “Será que então é verdade? Que no Brasil é difícil ser negro? Que a vida é muito dura para um preto no Brasil?” Eu fiquei muda. A vergonha arrancou a minha voz. Fonte: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html>http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html
terça-feira, 12 de maio de 2009
O 13 de maio de 2009 traz à tona o velho sonho de todos os oprimidos do mundo de todas as épocas: a liberdade das garras da opressão. E, junto com o sonho, as lutas travadas em busca da liberdade.
13 de maio dia dos pretos velhos - Os Pretos Velhos representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. Com seus cachimbos, fala pousada, tranquilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independente de sua cor, idade, sexo e religião.
A falsa história que nos contam até hoje sobre a Abolição da Escravatura no Brasil.
Era uma vez, uma princesa boazinha chamada Isabel, que no dia 13 de maio de 1888 resolveu, num ato de extrema bondade conceder a libertação dos escravos, assinando a Lei Áurea e todos os libertos viveram felizes para sempre, com trabalho, educação, saúde... Enfim uma vida digna.
A verdadeira história após 121 anos da Abolição da Escravatura.
Ao rever a história um misto de amargura e inconformidade nos toma conta ao constatar que, apesar destas situações se desenrolarem sob os nossos olhos, freqüentemente, a indiferença acaba sendo a única resposta. Tudo parece tão natural que somos incapazes de perceber os interesses em jogo e a necessidade de conhecer mais a realidade para poder mudá-la.
As principais causas da abolição da escravatura devem ser procuradas em seis aspectos fundamentais:
1. A luta e a resistência dos trabalhadores escravizados contra qualquer tipo de opressão;
2. Nos interesses econômicos das principais potências capitalistas da época, com ênfase especial para a Inglaterra;
3. Nas novas possibilidades de investimento, perante as quais as quantias empatadas na compra e manutenção dos escravos começam a ganhar as cores do desperdício;
4. Na política migratória dos países europeus interessados em se livrar dos grandes excedentes de desempregados e desocupados cujo descontentamento eleva as tensões sociais;
5. Na campanha abolicionista que passa a contar com o apoio de setores da elite, da intelectualidade, das classes médias, dos trabalhadores estrangeiros e de parte das forças antes destinadas à repressão das rebeliões escravas;
6. No vertiginoso aumento das fugas dos escravos que dá o tiro de misericórdia no combalido sistema escravista.
Extinta na maior parte das províncias do Brasil, em 1888, a escravidão atinge pouco mais de 600.000 pessoas, cerca de 4% da população do país. O seu atestado de óbito é assinado pela Princesa Isabel, em 13 de maio do mesmo ano, no Paço Imperial do Rio de Janeiro. A lei N. º 3.353 que declara o fim da escravidão e revoga todas as disposições em contrário é assinada com uma pena de ouro doada por subscrição pública e passa a ser lembrada como Lei Áurea. Graças a este gesto, a Princesa não ratifica apenas um fato praticamente já consumado. Ao colocar a extinção da escravatura sob a égide do abolicionismo legalista e parlamentar salva a dominação de classe dos setores progressistas da elite rural e veicula entre os dominados a idéia de que sua liberdade não depende das lutas, mas sim das concessões que, das esferas do poder, são oferecidas às camadas que estão na base da pirâmide social. Para os parlamentares e para os senhores, a questão da escravidão está oficialmente encerrada. Os ex-escravos são abandonados à própria sorte e, daí em diante, em condições extremamente difíceis, cabe a eles transformar a emancipação legal em realidade material. A lei que garante o status jurídico de homens e mulheres livres não fornece meio algum para tornar efetiva esta liberdade. A igualdade jurídica, por si só, não melhora suas condições de vida e nem elimina os preconceitos alimentados durante mais de três séculos de escravidão.
Após a promulgação da Lei Áurea, a grande maioria das pessoas consideradas desocupadas (algo em torno de 3 milhões), sobrevive graças a uma agricultura de subsistência, tem relações extremamente precárias com o mercado e aceita de forma eventual, como diarista, a execução de tarefas no interior das fazendas. Por ter como ganhar o pão de cada dia, não se submete à disciplina de trabalho exaustiva e embrutecedora que os latifundiários impõem a quem vai substituir a labuta dos escravos. Quanto aos negros livres, os fazendeiros sabem que não podem extrair deles o mesmo rendimento dos tempos da escravatura e temem que, diante de qualquer cobrança excessiva, estes podem vir a abandonar as fazendas ou fazer exigências exorbitantes para continuar nelas a fim de garantir as colheitas. Ao contrário do que é seguidamente alardeado pela propaganda da época, a recusa dos proprietários em lançar mão da força de trabalho local (na qual se incluem negros livres, posseiros, caboclos e caipiras) como fator determinante da produção assalariada, não se deve à inferioridade racial ou a uma suposta propensão inata à vadiagem, mas sim às dificuldades objetivas de garantir a submissão a uma disciplina que assegure a sua exploração.
Os dados mostram que não há espaço para eles (ex-escravos) na indústria e nos serviços urbanos. Em 1893, por exemplo, os trabalhadores estrangeiros representam pouco mais da metade dos moradores da cidade de São Paulo. Apesar disso, ocupam 84% das vagas oferecidas pela indústria, 81% das disponibilizadas pelo setor de transportes e 72% das que existem no comércio. Oito anos depois, os imigrantes constituem 92% do proletariado industrial de São Paulo. Nas demais províncias do sul e sudeste, as coisas não são muito diferentes.1
1 Dados publicados em Jacob Gorender (28), pg.199.
A procura de trabalhadores nacionais por parte de empresários urbanos e fazendeiros paulistas vai começar por volta de 1920. A partir deste momento, os interesses patronais começam a incentivar a migração interna. Antes desprezada por pertencer a uma raça considerada incapaz de concorrer com os brancos europeus, esta força de trabalho aumenta sua presença nos centros mais dinâmicos da economia e passa ser vista como uma necessidade imperiosa para manter elevados os lucros capitalistas. Neste processo que, em épocas e formas diferentes, busca criar e alimentar contingentes consideráveis de desempregados, a discriminação racial coloca os negros numa posição de inferioridade no interior desta grande reserva de força de trabalho. Ao classificar as pessoas segundo a cor da pele e ao justificar um tratamento discriminatório com base numa suposta inferioridade a ela vinculada, o capitalismo consegue tornar disponível para o trabalho um número elevado de pessoas que podem ser contratadas em troca de salários ainda mais baixos ““.
“Bom isso é lá no passado, porque agora...” - “Continua do mesmo jeitinho!”, “A verdade nua e crua é que os negros ainda enfrentam grandes barreiras para ter acesso ao mercado de trabalho e, quando conseguem, os salários são, em média, bem menores daqueles pagos aos brancos. De acordo com os dados divulgados pelo Fórum de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, em 2003, o ordenado médio de um homem branco é de R$ 931,00, ao passo que o de um negro é de R$ 428,30. Entre as mulheres as coisas não são diferentes. Enquanto as brancas ganham, em média, R$ 554,60, as negras não passam de R$ 279,70.1
Trocado em miúdos, o ordenado de um branco equivale a mais de dois salários pagos a um negro enquanto uma mulher negra precisa trabalhar, em média, três meses e dez dias para ter a mesma renda do primeiro e quase dois meses para igualar a de uma mulher branca. Para bom entendedor... Meia palavra basta “. Pricesa boazinha”.
1 Dados divulgados em Kelly Oliveira, Mulheres brancas recebem o dobro do salário pago às negras, em Gazeta Mercantil, 18/11/2005.
“Acontece que o fim da escravidão não implica no fim da exploração do trabalho humano e, muito menos, na realização da liberdade, já que o lucro, e não a vida dos seres da sua espécie, continuam ocupando o centro da organização da sociedade. O que se precisa entender é que o próprio movimento abolicionista traz em seu bojo as condições que permitem à elite a reorganização de suas forças nos centros de poder e de governo da sociedade”. Não há momento na história da escravidão brasileira em que suas vítimas não viabilizem alguma forma de luta ou de resistência. Por isso, basta afrouxar um pouco as medidas repressivas para que os cativos possam desferir o golpe que desintegra o já combalido sistema escravista. Em 16 de outubro de 1886, as pressões abolicionistas levam a Câmara a aprovar a lei que proíbe o uso do açoite para punir os cativos. Após promulgar esta norma que bane um dos mais temidos instrumentos de tortura, os escravos começam a fugir em massa das fazendas.
O Grupo Unir Raças quer aqui lembrar que, o braço negro construiu a riqueza deste país em nossos primeiros séculos de história. Onde isto é dito, onde se aprende a importância da cultura, da contribuição dos negros? Não chegamos ao Brasil como imigrantes, de livre vontade. Séculos de escravidão, açoites e humilhações marcam esta história. Aprendemos na escola a história da Europa. E a África?
Por isso é necessário que a Lei Federal 10.639 de 09 de janeiro de 2003, que tornou obrigatório o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira, nas escolas de educação básica e fundamental, pública e privada, seja implementada em Esteio e demais cidades do Brasil, pois a inclusão do negro nos livros escolares é o início da desmistificação da “Democracia Racial”, é tornar público a luta dos negros, e a importância de sua participação na construção da sociedade brasileira, bem como sua valorização como negro-brasileiros. Após seis anos da sanção da lei, é necessário que façamos uma reflexão sobre a questão étnico-racial e a não-aplicação da lei no planejamento escolar, pois são muitas as deficiências percebidas, que impedem sua implementação, desde a desatualização de livros didáticos, falta de formação, capacitação e conhecimento da história e da cultura africana pelos educadores, até a omissão do estado brasileiro em não fazer cumprir verdadeiramente a lei.
Sugestão de leitura:
O livro - Em busca da liberdade - traços das lutas escravas no Brasil - de Emilio Gennari traz à tona o velho sonho de todos os oprimidos do mundo de todas as épocas: a liberdade das garras da opressão. E, junto com o sonho, as lutas travadas em busca da liberdade. Um texto leve e bastante informativo, de acordo com a editora, leva o leitor a um passado histórico que “é muito mais do que um momento distante”. A busca da liberdade exige lutas e a compreensão disso “é um passo indispensável para se entender profundamente a realidade atual”. O livro ressalta a necessidade do conhecimento e da compreensão de nosso passado para entendermos o nosso presente. Só assim teremos condições para continuar a nossa busca pela liberdade.
Sugestão de vídeos:
Assista aos vídeos disponibilizados na página: http://www.acordacultura.org.br/, venha conhecer os Heróis de Todo Mundo. Este projeto tem como propósito construir uma nova prática para pensar e agir as relações educacionais plurirracial e multicultural, dando visibilidade à cultura afro-descendente como protagonista na construção histórica do nosso país.
Filme Cafundó é inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo, deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele. Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam as magias de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã. Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé. Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontramos sua imagem, O Preto Velho João de Camargo.
Grupo Unir Raças contato: fones: 51 34597163/ 51 91553572
13 de maio dia dos pretos velhos - Os Pretos Velhos representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. Com seus cachimbos, fala pousada, tranquilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independente de sua cor, idade, sexo e religião.
A falsa história que nos contam até hoje sobre a Abolição da Escravatura no Brasil.
Era uma vez, uma princesa boazinha chamada Isabel, que no dia 13 de maio de 1888 resolveu, num ato de extrema bondade conceder a libertação dos escravos, assinando a Lei Áurea e todos os libertos viveram felizes para sempre, com trabalho, educação, saúde... Enfim uma vida digna.
A verdadeira história após 121 anos da Abolição da Escravatura.
Ao rever a história um misto de amargura e inconformidade nos toma conta ao constatar que, apesar destas situações se desenrolarem sob os nossos olhos, freqüentemente, a indiferença acaba sendo a única resposta. Tudo parece tão natural que somos incapazes de perceber os interesses em jogo e a necessidade de conhecer mais a realidade para poder mudá-la.
As principais causas da abolição da escravatura devem ser procuradas em seis aspectos fundamentais:
1. A luta e a resistência dos trabalhadores escravizados contra qualquer tipo de opressão;
2. Nos interesses econômicos das principais potências capitalistas da época, com ênfase especial para a Inglaterra;
3. Nas novas possibilidades de investimento, perante as quais as quantias empatadas na compra e manutenção dos escravos começam a ganhar as cores do desperdício;
4. Na política migratória dos países europeus interessados em se livrar dos grandes excedentes de desempregados e desocupados cujo descontentamento eleva as tensões sociais;
5. Na campanha abolicionista que passa a contar com o apoio de setores da elite, da intelectualidade, das classes médias, dos trabalhadores estrangeiros e de parte das forças antes destinadas à repressão das rebeliões escravas;
6. No vertiginoso aumento das fugas dos escravos que dá o tiro de misericórdia no combalido sistema escravista.
Extinta na maior parte das províncias do Brasil, em 1888, a escravidão atinge pouco mais de 600.000 pessoas, cerca de 4% da população do país. O seu atestado de óbito é assinado pela Princesa Isabel, em 13 de maio do mesmo ano, no Paço Imperial do Rio de Janeiro. A lei N. º 3.353 que declara o fim da escravidão e revoga todas as disposições em contrário é assinada com uma pena de ouro doada por subscrição pública e passa a ser lembrada como Lei Áurea. Graças a este gesto, a Princesa não ratifica apenas um fato praticamente já consumado. Ao colocar a extinção da escravatura sob a égide do abolicionismo legalista e parlamentar salva a dominação de classe dos setores progressistas da elite rural e veicula entre os dominados a idéia de que sua liberdade não depende das lutas, mas sim das concessões que, das esferas do poder, são oferecidas às camadas que estão na base da pirâmide social. Para os parlamentares e para os senhores, a questão da escravidão está oficialmente encerrada. Os ex-escravos são abandonados à própria sorte e, daí em diante, em condições extremamente difíceis, cabe a eles transformar a emancipação legal em realidade material. A lei que garante o status jurídico de homens e mulheres livres não fornece meio algum para tornar efetiva esta liberdade. A igualdade jurídica, por si só, não melhora suas condições de vida e nem elimina os preconceitos alimentados durante mais de três séculos de escravidão.
Após a promulgação da Lei Áurea, a grande maioria das pessoas consideradas desocupadas (algo em torno de 3 milhões), sobrevive graças a uma agricultura de subsistência, tem relações extremamente precárias com o mercado e aceita de forma eventual, como diarista, a execução de tarefas no interior das fazendas. Por ter como ganhar o pão de cada dia, não se submete à disciplina de trabalho exaustiva e embrutecedora que os latifundiários impõem a quem vai substituir a labuta dos escravos. Quanto aos negros livres, os fazendeiros sabem que não podem extrair deles o mesmo rendimento dos tempos da escravatura e temem que, diante de qualquer cobrança excessiva, estes podem vir a abandonar as fazendas ou fazer exigências exorbitantes para continuar nelas a fim de garantir as colheitas. Ao contrário do que é seguidamente alardeado pela propaganda da época, a recusa dos proprietários em lançar mão da força de trabalho local (na qual se incluem negros livres, posseiros, caboclos e caipiras) como fator determinante da produção assalariada, não se deve à inferioridade racial ou a uma suposta propensão inata à vadiagem, mas sim às dificuldades objetivas de garantir a submissão a uma disciplina que assegure a sua exploração.
Os dados mostram que não há espaço para eles (ex-escravos) na indústria e nos serviços urbanos. Em 1893, por exemplo, os trabalhadores estrangeiros representam pouco mais da metade dos moradores da cidade de São Paulo. Apesar disso, ocupam 84% das vagas oferecidas pela indústria, 81% das disponibilizadas pelo setor de transportes e 72% das que existem no comércio. Oito anos depois, os imigrantes constituem 92% do proletariado industrial de São Paulo. Nas demais províncias do sul e sudeste, as coisas não são muito diferentes.1
1 Dados publicados em Jacob Gorender (28), pg.199.
A procura de trabalhadores nacionais por parte de empresários urbanos e fazendeiros paulistas vai começar por volta de 1920. A partir deste momento, os interesses patronais começam a incentivar a migração interna. Antes desprezada por pertencer a uma raça considerada incapaz de concorrer com os brancos europeus, esta força de trabalho aumenta sua presença nos centros mais dinâmicos da economia e passa ser vista como uma necessidade imperiosa para manter elevados os lucros capitalistas. Neste processo que, em épocas e formas diferentes, busca criar e alimentar contingentes consideráveis de desempregados, a discriminação racial coloca os negros numa posição de inferioridade no interior desta grande reserva de força de trabalho. Ao classificar as pessoas segundo a cor da pele e ao justificar um tratamento discriminatório com base numa suposta inferioridade a ela vinculada, o capitalismo consegue tornar disponível para o trabalho um número elevado de pessoas que podem ser contratadas em troca de salários ainda mais baixos ““.
“Bom isso é lá no passado, porque agora...” - “Continua do mesmo jeitinho!”, “A verdade nua e crua é que os negros ainda enfrentam grandes barreiras para ter acesso ao mercado de trabalho e, quando conseguem, os salários são, em média, bem menores daqueles pagos aos brancos. De acordo com os dados divulgados pelo Fórum de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, em 2003, o ordenado médio de um homem branco é de R$ 931,00, ao passo que o de um negro é de R$ 428,30. Entre as mulheres as coisas não são diferentes. Enquanto as brancas ganham, em média, R$ 554,60, as negras não passam de R$ 279,70.1
Trocado em miúdos, o ordenado de um branco equivale a mais de dois salários pagos a um negro enquanto uma mulher negra precisa trabalhar, em média, três meses e dez dias para ter a mesma renda do primeiro e quase dois meses para igualar a de uma mulher branca. Para bom entendedor... Meia palavra basta “. Pricesa boazinha”.
1 Dados divulgados em Kelly Oliveira, Mulheres brancas recebem o dobro do salário pago às negras, em Gazeta Mercantil, 18/11/2005.
“Acontece que o fim da escravidão não implica no fim da exploração do trabalho humano e, muito menos, na realização da liberdade, já que o lucro, e não a vida dos seres da sua espécie, continuam ocupando o centro da organização da sociedade. O que se precisa entender é que o próprio movimento abolicionista traz em seu bojo as condições que permitem à elite a reorganização de suas forças nos centros de poder e de governo da sociedade”. Não há momento na história da escravidão brasileira em que suas vítimas não viabilizem alguma forma de luta ou de resistência. Por isso, basta afrouxar um pouco as medidas repressivas para que os cativos possam desferir o golpe que desintegra o já combalido sistema escravista. Em 16 de outubro de 1886, as pressões abolicionistas levam a Câmara a aprovar a lei que proíbe o uso do açoite para punir os cativos. Após promulgar esta norma que bane um dos mais temidos instrumentos de tortura, os escravos começam a fugir em massa das fazendas.
O Grupo Unir Raças quer aqui lembrar que, o braço negro construiu a riqueza deste país em nossos primeiros séculos de história. Onde isto é dito, onde se aprende a importância da cultura, da contribuição dos negros? Não chegamos ao Brasil como imigrantes, de livre vontade. Séculos de escravidão, açoites e humilhações marcam esta história. Aprendemos na escola a história da Europa. E a África?
Por isso é necessário que a Lei Federal 10.639 de 09 de janeiro de 2003, que tornou obrigatório o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira, nas escolas de educação básica e fundamental, pública e privada, seja implementada em Esteio e demais cidades do Brasil, pois a inclusão do negro nos livros escolares é o início da desmistificação da “Democracia Racial”, é tornar público a luta dos negros, e a importância de sua participação na construção da sociedade brasileira, bem como sua valorização como negro-brasileiros. Após seis anos da sanção da lei, é necessário que façamos uma reflexão sobre a questão étnico-racial e a não-aplicação da lei no planejamento escolar, pois são muitas as deficiências percebidas, que impedem sua implementação, desde a desatualização de livros didáticos, falta de formação, capacitação e conhecimento da história e da cultura africana pelos educadores, até a omissão do estado brasileiro em não fazer cumprir verdadeiramente a lei.
Sugestão de leitura:
O livro - Em busca da liberdade - traços das lutas escravas no Brasil - de Emilio Gennari traz à tona o velho sonho de todos os oprimidos do mundo de todas as épocas: a liberdade das garras da opressão. E, junto com o sonho, as lutas travadas em busca da liberdade. Um texto leve e bastante informativo, de acordo com a editora, leva o leitor a um passado histórico que “é muito mais do que um momento distante”. A busca da liberdade exige lutas e a compreensão disso “é um passo indispensável para se entender profundamente a realidade atual”. O livro ressalta a necessidade do conhecimento e da compreensão de nosso passado para entendermos o nosso presente. Só assim teremos condições para continuar a nossa busca pela liberdade.
Sugestão de vídeos:
Assista aos vídeos disponibilizados na página: http://www.acordacultura.org.br/, venha conhecer os Heróis de Todo Mundo. Este projeto tem como propósito construir uma nova prática para pensar e agir as relações educacionais plurirracial e multicultural, dando visibilidade à cultura afro-descendente como protagonista na construção histórica do nosso país.
Filme Cafundó é inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo, deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele. Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam as magias de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã. Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé. Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontramos sua imagem, O Preto Velho João de Camargo.
Grupo Unir Raças contato: fones: 51 34597163/ 51 91553572
segunda-feira, 30 de março de 2009
Mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon
“A posse de um filho da África como presidente dos Estados Unidos da América neste ano representou, por vários motivos, um marco histórico em uma jornada que começou há mais de 400 anos. Por toda a América e Caribe, os descendentes da maior migração forçada da história lutaram – e continuam lutando – por justiça, inclusão e respeito”.“O Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico de Transatlântico de Escravos é um tributo aos milhões de africanos retirados violentamente de sua terra natal e submetidos à escravidão. As estimativas sobre o número de homens e mulheres transportados variam, mas o legado desse tráfico vil não pode ser questionado. A África ainda não se recuperou dos estragos causados pelo tráfico de escravos e da era de colonização que veio a seguir. Do outro lado do Atlântico, na Europa e em toda parte, os descendentes de africanos ainda lutam diariamente contra o preconceito enraizado que os mantém de forma desproporcional na pobreza.”“Apesar de a escravidão ter sido oficialmente abolida, o racismo ainda é uma mácula em nosso mundo. Assim como as formas modernas de escravidão, como o trabalho compulsório, a prostituição forçada, o recrutamento de crianças na guerra e o tráfico internacional de drogas. É essencial que nos manifestemos em alto e bom tom contra esses tipos de abuso. A declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece que ‘todo ser humano nasce livre e igual em dignidade e direitos’. O desrespeito a este princípio fundamental leva à desumanidade que é a escravidão e os horrores do genocídio.”
sexta-feira, 20 de março de 2009
21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial
O que é discriminação racial?
A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da ONU, ratificada pelo Brasil, diz que:
"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública" Art. 1.
A essência da convivência harmoniosa e pacífica entre os povos, é saber entender e respeitar as pessoas e suas diferentes histórias de vida, orientação sexual, culturas, idades, ideologias, valores e religião.
É comum ouvir dizer que hoje no Brasil já não existe mais racismo, preconceito ou discriminação. Ao mesmo tempo é impossível negar o alargamento das diferenças sociais e econômicas sofridas pela sociedade no decorrer dos séculos. Para entender estas diferenças é necessário voltar ao período de colonização do País, para perceber também, que há, através da história a perpetuação da discriminação. O dia 21 de março oferece a oportunidade de celebrar e recordar avanços, assim como examinar os desafios pendentes para a eliminação da discriminação racial. Ao mesmo tempo que relembramos os sacrifícios, o sofrimento e as vitórias na luta contra o racismo, ao longo dos anos em todo o mundo, devemos responder ao apelo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no sentido de “reafirmar a fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade, no valor da pessoa e na igualdade de direitos do homem e da mulher”.
A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da ONU, ratificada pelo Brasil, diz que:
"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública" Art. 1.
A essência da convivência harmoniosa e pacífica entre os povos, é saber entender e respeitar as pessoas e suas diferentes histórias de vida, orientação sexual, culturas, idades, ideologias, valores e religião.
É comum ouvir dizer que hoje no Brasil já não existe mais racismo, preconceito ou discriminação. Ao mesmo tempo é impossível negar o alargamento das diferenças sociais e econômicas sofridas pela sociedade no decorrer dos séculos. Para entender estas diferenças é necessário voltar ao período de colonização do País, para perceber também, que há, através da história a perpetuação da discriminação. O dia 21 de março oferece a oportunidade de celebrar e recordar avanços, assim como examinar os desafios pendentes para a eliminação da discriminação racial. Ao mesmo tempo que relembramos os sacrifícios, o sofrimento e as vitórias na luta contra o racismo, ao longo dos anos em todo o mundo, devemos responder ao apelo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no sentido de “reafirmar a fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade, no valor da pessoa e na igualdade de direitos do homem e da mulher”.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Nossos Heróis
Só os que não reconhecem a ironia podem ser imunes ao drama racial que descrevi no conto “Pai contra mãe”, ou ao deboche que permeia minha primeira crônica após a abolição. Só esses pobres de espírito podem dizer que sou um preto de alma branca. Sou Joaquim Maria Machado de Assis. Sou um cidadão negro brasileiro.
Machado de Assis (1839-1908)
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no dia 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Filho de um pintor mulato e de uma lavadeira portuguesa, foi criado pela madrasta após a morte de sua mãe e, posteriormente, de seu pai. A madrasta teria se empregado como doceira em um colégio do bairro e Machado a teria ajudado como vendedor de doces, quando pequeno.
Aos 16 anos, trabalhou como aprendiz de tipógrafo de Paula Brito, ao mesmo tempo em que publicou seu primeiro poema Ela, na revista Marmota Fluminense. A partir daí, passou a colaborar regularmente com a imprensa carioca, inicialmente como tipógrafo, depois como revisor e cronista de uma sociedade em mutação.
Autodidata, ele foi contista, dramaturgo, jornalista, cronista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, consagrando-se como um dos mais conceituados escritores brasileiros. Machado de Assis foi o fundador, primeiro presidente e presidente perpétuo da Academia Brasileira de Letras. Por sua importância, a ABL passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
Ele escrevia sobre a vida fluminense da época, com um estilo sutilmente irônico que se tornou sua marca. O escritor passou pelo Romantismo e pelo Realismo, assimilando características de ambos os movimentos literários. Seu interesse central era a sondagem psicológica dos personagens. Aos 25 anos, notabilizou-se como poeta com a obra Crisálidas; aos cinqüenta, era denominado como o único, o primeiro de todos.
A obra deste extraordinário autor abrangeria, praticamente, todos os gêneros literários. Na poesia, a fase romântica é representada por Crisálidas (1864) e Falenas (1870). Já o período indianista fica explícito com Americanas (1875) e, o parnasiano, com Ocidentais (1901). Ao mesmo tempo, apareceriam as coletâneas de Contos Fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873); além dos romances Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878), considerados como pertencentes ao seu período romântico.
A partir de então, Machado de Assis entraria na fase das grandes obras-primas, que fogem a qualquer denominação de escola literária e que o tornaram o maior escritor das letras brasileiras e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa. De sua maturidade intelectual, vêm as obras Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Dom Casmurro (1899) e Quincas Borbas (1991), entre outras. Estes livros são considerados universais pela originalidade da concepção, pela agudeza dos conceitos, pela penetrante análise das paixões humanas e pela perfeição de seu estilo.
Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais. Nessa época, o escritor já era um homem bem sucedido, com um bom cargo público. Ao longo de sua vida, Machado assumiria diversos postos: primeiro como oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, depois como oficial de gabinete, diretor geral e secretário de alguns ministros.
Seu casamento durou 35 anos. Carolina seria sua companheira, secretária, ajudante na revisão de seus manuscritos e sua enfermeira, ao cuidar de sua saúde (Machado tinha epilepsia). Com a morte da esposa, em 1904, o escritor dedicou-lhe o soneto Carolina.
Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro.
Para saber mais:www.academia.org.br/imortais/cads/23/machado.htm http://www.machadodeassis.org.br/ Lopes, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora africana. SP: Selo Negro, 2004
Referências bibliográficas:Livros do autorComédiaDesencantos, 1861.Tu, só tu, puro amor, 1881.PoesiaCrisálidas, 1864.Falenas, 1870.Americanas, 1875.Poesias completas, 1901.RomanceRessurreição, 1872.A mão e a luva, 1874.Helena, 1876.Iaiá Garcia, 1878.Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.Quincas Borba, 1891.Dom Casmurro, 1899.Esaú Jacó, 1904.Memorial de Aires, 1908.
Conto:Contos Fluminenses,1870.Histórias da meia-noite, 1873.Papéis avulsos, 1882.Histórias sem data, 1884.Várias histórias, 1896.Páginas recolhidas, 1899.Relíquias de casa velha, 1906.TeatroQueda que as mulheres têm para os tolos, 1861Desencantos, 1861Hoje avental, amanhã luva, 1861.O caminho da porta, 1862.O protocolo, 1862.Quase ministro, 1863.Os deuses de casaca, 1865.Tu, só tu, puro amor, 1881.
fonte:www.acordacultura.org.br
Machado de Assis (1839-1908)
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no dia 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Filho de um pintor mulato e de uma lavadeira portuguesa, foi criado pela madrasta após a morte de sua mãe e, posteriormente, de seu pai. A madrasta teria se empregado como doceira em um colégio do bairro e Machado a teria ajudado como vendedor de doces, quando pequeno.
Aos 16 anos, trabalhou como aprendiz de tipógrafo de Paula Brito, ao mesmo tempo em que publicou seu primeiro poema Ela, na revista Marmota Fluminense. A partir daí, passou a colaborar regularmente com a imprensa carioca, inicialmente como tipógrafo, depois como revisor e cronista de uma sociedade em mutação.
Autodidata, ele foi contista, dramaturgo, jornalista, cronista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, consagrando-se como um dos mais conceituados escritores brasileiros. Machado de Assis foi o fundador, primeiro presidente e presidente perpétuo da Academia Brasileira de Letras. Por sua importância, a ABL passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
Ele escrevia sobre a vida fluminense da época, com um estilo sutilmente irônico que se tornou sua marca. O escritor passou pelo Romantismo e pelo Realismo, assimilando características de ambos os movimentos literários. Seu interesse central era a sondagem psicológica dos personagens. Aos 25 anos, notabilizou-se como poeta com a obra Crisálidas; aos cinqüenta, era denominado como o único, o primeiro de todos.
A obra deste extraordinário autor abrangeria, praticamente, todos os gêneros literários. Na poesia, a fase romântica é representada por Crisálidas (1864) e Falenas (1870). Já o período indianista fica explícito com Americanas (1875) e, o parnasiano, com Ocidentais (1901). Ao mesmo tempo, apareceriam as coletâneas de Contos Fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873); além dos romances Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878), considerados como pertencentes ao seu período romântico.
A partir de então, Machado de Assis entraria na fase das grandes obras-primas, que fogem a qualquer denominação de escola literária e que o tornaram o maior escritor das letras brasileiras e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa. De sua maturidade intelectual, vêm as obras Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Dom Casmurro (1899) e Quincas Borbas (1991), entre outras. Estes livros são considerados universais pela originalidade da concepção, pela agudeza dos conceitos, pela penetrante análise das paixões humanas e pela perfeição de seu estilo.
Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais. Nessa época, o escritor já era um homem bem sucedido, com um bom cargo público. Ao longo de sua vida, Machado assumiria diversos postos: primeiro como oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, depois como oficial de gabinete, diretor geral e secretário de alguns ministros.
Seu casamento durou 35 anos. Carolina seria sua companheira, secretária, ajudante na revisão de seus manuscritos e sua enfermeira, ao cuidar de sua saúde (Machado tinha epilepsia). Com a morte da esposa, em 1904, o escritor dedicou-lhe o soneto Carolina.
Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro.
Para saber mais:www.academia.org.br/imortais/cads/23/machado.htm http://www.machadodeassis.org.br/ Lopes, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora africana. SP: Selo Negro, 2004
Referências bibliográficas:Livros do autorComédiaDesencantos, 1861.Tu, só tu, puro amor, 1881.PoesiaCrisálidas, 1864.Falenas, 1870.Americanas, 1875.Poesias completas, 1901.RomanceRessurreição, 1872.A mão e a luva, 1874.Helena, 1876.Iaiá Garcia, 1878.Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.Quincas Borba, 1891.Dom Casmurro, 1899.Esaú Jacó, 1904.Memorial de Aires, 1908.
Conto:Contos Fluminenses,1870.Histórias da meia-noite, 1873.Papéis avulsos, 1882.Histórias sem data, 1884.Várias histórias, 1896.Páginas recolhidas, 1899.Relíquias de casa velha, 1906.TeatroQueda que as mulheres têm para os tolos, 1861Desencantos, 1861Hoje avental, amanhã luva, 1861.O caminho da porta, 1862.O protocolo, 1862.Quase ministro, 1863.Os deuses de casaca, 1865.Tu, só tu, puro amor, 1881.
fonte:www.acordacultura.org.br
terça-feira, 10 de março de 2009
Queremos um mundo onde o fato de ser mulher, negra, indígena, lésbica, jovem, idosa ou com deficiência seja apenas um elemento da diversidade e corresponda ao direito à diferença, e não motivo para preconceito ou desigualdade.
Constituímos mais da metade da humanidade, damos a vida, trabalhamos, amamos, criamos, militamos, nos divertimos. Garantimos atualmente a maior parte das tarefas essenciais para a vida e a continuidade da humanidade, no entanto, nessa sociedade continuamos sendo oprimidas.
O descaso com a saúde da mulher, faz do Rio Grande do Sul, portador do triste título de campeão nacional em mortalidade.
Queremos políticas públicas para as mulheres. A democracia se exerce se há liberdade e igualdade.
fonte:MMM
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