sábado, 12 de dezembro de 2009

HUTÚZ 10 ANOS - PARABÉNS RAFUAGI

O maior prêmio de hip hop do Brasil, o HUTÚZ em sua décima edição consolidou os melhores da cultura hip hop na categoria Demo-Masculino o Grupo RAFUAGI.
A festa de premiação aconteceu na tradicional casa noturna do Rio de Janeiro, o Canecão que foi palco de grandes artistas já consagrados e outros tantos revelados, como o Grupo RAFUAGI.
No momento da premiação o Rafa do RAFUAGI, que é meu filho querido disse: "Esse é um momento muito especial, estar aqui conhecendo várias pessoas e encontrando velhos amigos. Quero agradecer também a Raizes Discos e a minha família". Parabéns Rafael, com certeza tu merece este prêmio e muitos outros que estão por vir, desejo sucesso sempre, nunca esquecendo do que és, este ser iluminado; bom já fiz minha tietagem, mas não posso deixar de citar o Rick - THC que também estava na premiação e o Dj Croko que não pode estar presente, que também fazem parte desta linda família que é a família RAFUAGI - RA(Rafael)FU(fusão)A(amigos)GI(Gilmar), muita luz à todos!
O RAFUAGI está com música nova - Amizade
para baixar:http://www.4shared.com/file/166880881/bcfaa64/RAFUAGI_ -_ AMIZADE_Part_Lica_.html
Se gostar repasse o link! Paz!!!!!!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A falta de negros nos meios de comunicação, a falta de terras para os quilombolas, a falta de negros nas universidades, fere a Constituição, a Carta Magna de 1988 que diz que perante a lei somos todos iguais, isso por si só não basta, é necessário implementar políticas públicas, para desmitificar a suposta democracia racial que vivemos.
No Brasil temos vítimas do racismo, mas nunca é identificado o racista, precisamos enfrentar o racismo para só assim encontrar soluções para combater este mal.
Há séculos o racismo brasileiro coloca a população negra em situação de desigualdade, e isto só será superado com ações afirmativas (cotas-tratamento desigual para permitir a igualdade de oportunidades a quem esta em condição inferior), como as utilizadas nos EUA e na África do Sul. Resistir às ações afirmativas é lutar para não perder benefícios do racismo. As cotas não são para discutir a raça/etnia e sim para corrigir uma dívida histórica que este país tem com os negros.
O Brasil é um misto de culturas e de civilizações, alguns vieram voluntariamente, outros não, vieram traficados, escravizados, com certeza ambos contribuiram para formar a história do povo brasileiro, só que quando olhamos os livros didáticos, a referência é européia e nada consta sobre os índios, os negros, sobre a história da África, fica o questionamento: Por que os negros têm obrigação de conhecer a história de seus compatriotas de descendência Européia? E porque a história dos negros, a história da África não é ensinada? É urgente e necessário que a LEI 10639/03 seja colocada em prática, visto que em quase todo o território nacional é letra morta ou está restrita a estudos dentro de gabinetes/secretarias.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ser diferente é bom.Ser indiferente é que não é.

A reflexão acerca da consciência negra independe de uma data específica. A criação de um dia específico oportuniza a valorização da cultura afro-brasileira em diversos segmentos sociais, entretanto o preconceito é um tema a ser discutido diariamente até que possamos falar de sua existência como fato ocorrido no passado.
Os negros brasileiros vem lutando para terem suas capacidades reconhecidas, para terem as mesmas oportunidades e os mesmos direitos, conforme está escrito na Constituição Federal.Precisamos de políticas públicas que possibiitem aos negros a inclusão social, cultural, econômica e política.
A força do racismo está na forma como ele é ensinado e aprendido. Nelson Mandela já disse:"Ninguém nasce racista", a família, a sociedade, a escola é que produzem seres racistas, que ensinam as práticas racistas, cria-se a representação falsa e negativa do negro.
Junto com o dia da consciência negra deveria ser o dia do perdão, pois o povo negro brasileiro é descendente de negros trazidos acorrentados em navios negreiros, arrancados do continente Africano, para o Brasil, país que praticou esta atrocidade que foi a escravidão, uma covardia, uma vergonha, os negros foram e continuam sendo o povo mais humilhado de toda a história e até hoje sentem a dor dos chicotes (discriminação racial). A implementação da Lei 10639/03 que diz ser obrigatório o ensino da cultura dos negros brasileiros e a história da África, não se restringe apenas à comunidade negra, é fundamental para todos os cidadãos brasileiros que querem um futuro livre desta calamidade e uma sociedade onde os direitos, a igualdade, seja uma realidade para todos, independente de sua etnia, credo, orientação sexual, idade, se portador de necessidades especiais e classe social.

"Não vos alerto por represália. Nem cobro meus direitos por vingança.
Só quero banir de nossos peitos, esta goma hereditária e triste, que muito me magoa e tanto te envergonha." (Geni Guimarães)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O XADREZ DAS CORES

Ontem à noite (17/11/09), dentro da programação da Semana da Consciência Negra do município de Esteio/RS, onde o tema é "Identidade Étnica e Religiosa, Superando Preconceitos e a Discriminação", às 20horas foi passado o curta "O Xadrez das Cores", por tratar de um tema polêmico e, ao mesmo tempo, tão real, principalmente da maneira como enfocou o assunto, percebemos o quanto ainda o preconceito está enraizado na cultura do povo. Embora muitas pessoas não admitam o modo de pensar, elas são traídas pelas palavras e ações. Exemplo disso foi que o Auditório da Casa de Cultura Lufredina Araújo Gaya que estava reservado dia 17/11 apartir das 19h30min para o Cinema-Curtas foi ocupado com outra atividade cultural, sendo que haviamos convidado escolas da rede pública e que a revelia do que havia sido programado e combinado, foi transferido a atividade para uma sala menor no andar superior da Casa e ainda foi feito contato(por alguém daquela Casa) desmarcando a atividade com as escolas convidadas. Tivemos um público pequeno (11 pessoas), mas certamente o debate que foi feito ali, foi de grande valor.
É um filme que nos faz olhar para a nossa realidade, onde o preconceito, as diferenças, infelizmente ainda tem lugar no cotidiano das pessoas, o autor usou o xadrez com muita sabedoria para demostrar que mesmo com as diferenças das cores as peças do jogo tem as mesmas funções, que atraves deste curta possamos aprender a conviver e respeitar as diferenças.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

I Conferência Livre de Comunicação-Grupo Unir Raças-Esteio/RS

No dia 23/10/09, aconteceu a I Conferência Livre de Comunicação - Grupo Unir Raças-Esteio/RS.

O objetivo da conferência foi debater a imagem da população negra nos meios de comunicação, o racismo discursivo na mídia e a ausência de apoio para artistas e comunicadores negros e negras.

As propostas organizadas nesta conferência serão encaminhadas para a conferência estadual e nacional de Comunicação.

O tema da Conferência de Comunicação foi a Democratização da Comunicação.

Foi fundamental a participação de todos, pois esse não é um debate apenas para jornalistas, artistas ou intelectuais as mudanças são urgentes e determinantes para toda a sociedade.

É a comunidade negra dizendo que não está satisfeita com a maneira como é representada pela mídia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Deputados aprovam o Estatuto da Igualdade Racial

Discutido no Congresso desde 2003, o Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado ontem na Câmara dos Deputados.Para avançar no Congresso, o projeto precisou de um acordo entre oposição e governo. Os pontos mais polêmicos acabaram retirados do texto original, como a criação de cotas para negros nas universidades federais, um percentual que obriga atores e figurantes negros em programas de TV e a titulação de terras quilombolas.O deputado Daniel Feliciano (PDT-BA) acusou os colegas de aprovarem o estatuto desidratado, com poucos efeitos práticos para a população negra.– Esse relatório suprime a essência de muitas coisas que já haviam sido conquistadas em anos de luta – disse.O acordo manteve a criação de cota para candidatos negros nas eleições, mas reduziu esse percentual de 30% para 10%. Já as cotas na TV foram eliminadas, e os artigos que instituíam a reserva de vagas no ensino superior foram substituídos por um texto genérico, que não fixa prazos ou percentuais. O relatório manteve a promessa, a ser regulamentada, de incentivos fiscais para empresas com 20% de trabalhadores negros.O presidente da Comissão Especial, deputado Carlos Santana (PT-RJ) minimizou as críticas e classificou a aprovação de vitória histórica.– Ao aprovar o estatuto, estamos reconhecendo que há discriminação racial no Brasil. Nós não recuamos – afirmou.O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, avaliou a aprovação da proposta.– O estatuto foi possível diante da correlação de forças do Congresso. O maior avanço é que ele não vai gerar conflitos porque os partidos estão unidos em torno do mesmo texto – disse Santos.Com a aprovação do relatório da Comissão Especial, o projeto deve seguir diretamente para o Senado. A intenção é que o presidente Lula sancione o estatuto no dia da Consciência Negra, em 20 de novembro.Mesmo esfacelado, o texto foi aprovado em clima de festa, com batucada promovida por militantes com roupas e turbantes afro. Os deputados esqueceram o protocolo e votaram de pé. Depois, cantaram de mãos dadas o samba Sorriso Negro, gravado por Ivone Lara.Brasília
As mudanças
CANDIDATURAS
As principais regras que entrarão em vigor, caso o estatuto passe no Senado e seja sancionado pela Presidência
- Obriga que os partidos políticos destinem aos negros 10% de suas vagas para candidaturas nas eleições proporcional. A proposta original previa uma cota de 30%
SAÚDE
- Determina que o sistema público de saúde se especialize em doenças mais características da raça negra, como a anemia falciforme
EDUCAÇÃO
- Torna obrigatória a inclusão no currículo do Ensino Fundamental aulas sobre história geral da África e do negro no Brasil
- Determina que o Poder Público adote ações afirmativas em instituições públicas federais de ensino – sem prever cotas ou percentuais mínimos
TRABALHO
- Permite que o governo crie incentivos fiscais para empresas com mais de 20 funcionários e que decidirem contratar pelo menos 20% de negros
- Determina que os governos prevejam ações que promovam a igualdade de oportunidade no mercado de trabalho
Fonte: Zero Hora - 10/09/2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

“Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?”

“Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?”A mais importante atriz de Moçambique sofre discriminação racial em São Paulo

ELIANE BRUM
Fazia tempo que eu não sentia tanta vergonha. Terminava a entrevista com a bela Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana, no início da tarde desta sexta-feira, 19/6, quando fiz aquela pergunta clássica, que sempre parece obrigatória quando entrevistamos algum negro no Brasil ou fora dele. “Você já sofreu discriminação por ser negra?”. Eu imaginava que sim. Afinal, Lucrécia nasceu antes da independência de Moçambique e viaja com suas peças teatrais pelo mundo inteiro. Eu só não imaginava a resposta: “Sim. Ontem”. Lucrécia falou com ênfase. E com dor. “Aqui?”, eu perguntei, num tom mais alto que o habitual. “Sim, no Shopping Paulista, quando estava na fila da casa de câmbio trocando meus últimos dólares”, contou. “Como assim?”, perguntei, sentindo meu rosto ficar vermelho. Ela estava na fila da casa de câmbio, quando a mulher da frente, branca, loira, se virou para ela: “Ai, minha bolsa”, apertando a bolsa contra o corpo. Lucrécia levou um susto. Ela estava longe, pensando na timbila, um instrumento tradicional moçambicano, semelhante a um xilofone, que a acompanha na peça que estreará nesta sexta-feira e ainda não havia chegado a São Paulo. Imaginou que havia encostado, sem querer, na bolsa da mulher. “Desculpa, eu nem percebi”, disse. A mulher tornou-se ainda mais agressiva. “Ah, agora diz que tocou sem querer?”, ironizou. “Pois eu vou chamar os seguranças, vou chamar a polícia de imigração.” Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. “Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos.” A mulher continuou resmungando. Um segurança apareceu na porta. Lucrécia trocou seus dólares e foi embora. Mal, muito mal. Seus colegas moçambicanos, que a esperavam do lado de fora, disseram que era para esquecer. Nenhum deles sabia que no Brasil o racismo é crime inafiançável. Como poderiam?
Saiba mais * *»*Sergia Galván - "O racismo hoje é mais sutil e mais forte" <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=69960&secaoId=15228> * *»*Cotas para quê? <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=67068&secaoId=15228> * *»*Agência proíbe de falar sobre cotas, diz top <http://revistaepoca.globo.com/EditoraGlobo2/Materia/exibir.ssp?materiaId=77868&secaoId=15228>Lucrécia não consegue esquecer. “Não pude dormir à noite, fiquei muito mal”, diz. “Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim.” Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. “Eu nunca fui discriminada dessa maneira”, diz. “Dá uma dor na gente. ” Ela veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural, que realiza até 26 de junho, em São Paulo, o Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito. Lucrécia apresentará de hoje a domingo (19 a 22/6), sempre às 20h, a peça Mulher Asfalto. Nela, interpreta uma prostituta que, diante de seu corpo violado de todas as formas, só tem a palavra para se manter viva. Lucrécia e o autor do texto, Alain-Kamal Martial, estavam em Madagáscar, em 2005, quando assistiram, impotentes, uma prostituta ser brutalmente espancada por um policial nas ruas da capital, Antananarivo. A mulher caía no chão e se levantava. Caía de novo e mais uma vez se levantava. Caía e se levantava sem deixar de falar. Isso se repetiu até que nem mesmo eles puderam continuar assistindo. “Era a palavra que a fazia levantar”, diz Lucrécia. “Sua voz a manteve viva.” Foi assim que surgiu o texto, como uma forma de romper a impotência e levar aquela voz simbólica para os palcos do mundo.
Mais tarde, em 2007, Lucrécia montou o atual espetáculo quando uma quadrilha de traficantes de meninas foi desbaratada em Moçambique. Eles sequestravam crianças e as levavam à África do Sul. Uma menina morreu depois de ser violada de todas as maneiras com uma chave de fenda. Lucrécia sentiu-se novamente confrontada. E montou o Mulher Asfalto. Não poderia imaginar que também ela se sentiria violada e impotente, quase sem voz, diante da cliente de um shopping em um outro continente, na cidade mais rica e moderna do Brasil. Nesta manhã de sexta-feira, Lucrécia estava abatida, esquecendo palavras. Trocou o horário da entrevista, depois errou o local. Lucrécia não está bem. E vai precisar de toda a sua voz – e de todas as palavras – para encarnar sua personagem nesta noite de estréia. “Fiquei pensando”, me disse. “Será que então é verdade? Que no Brasil é difícil ser negro? Que a vida é muito dura para um preto no Brasil?” Eu fiquei muda. A vergonha arrancou a minha voz. Fonte: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html>http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html